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domingo, 10 de julho de 2011

Esfomeados são sentimentais.

    Acordei faminto, já eram cinco e meia e era domingo, aguentando a fome que começava a me dar dores no estômago, eu fiquei um pouco no computador, queria ver se uma moça pela qual tenho carinho havia me deixado algum recado, não deixou.
   Fui fazer algo para comer, coloquei ovos numa panela com água e liguei o fogo, enquanto os ovos cozinhavam comecei a picar batatas para fritar. Piquei algumas e, quando fui ligar uma boca para a frigideira, vi que o gás havia acabado. Irritado e faminto, joguei com força o prato com as batatas na parede, cacos de porcelana e batatas se espalharam por meia cozinha, fui para o quarto e acendi um baseado. Terminei de fumar, peguei minha carteira e coloquei minha velha camiseta com o olho de Horus e em letras grandes “História UEM”, sai na direção da padaria mais próxima.
    Andei algum tempo, dobrei a esquina e vi que a padaria que pretendia ir estava fechada. Continuei subindo a rua, “deve ter alguma merda aberta” pensei.
    Enquanto andava olho numa rua sem saída, um grupo de crianças brincando e com elas um senhor idoso, eles jogavam amarelinha e todos estavam rindo muito, o senhor era vô de uma parte das crianças e estava sendo o centro das atenções, “isso é bom que faz exercício!” gritava o velho enquanto pedia o que deveria fazer no jogo. Olhei para a cena e achei-a bela, cheguei a me acalmar um pouco, eu, que sempre penso sobre a personalidade das pessoas, fiquei pensando em como deveria ter sido a vida daquele senhor e por pouco tempo, uma admiração sincera surgiu, ele parecia tão despreocupado, tão feliz, tão vivo, tão diferente de mim. Percebi um sorriso em meu rosto e continuei a andar, algumas quadras a frente achei uma cabine de Cachorrão, o prato típico do maringaense. 
   Pedi dois lanches para viajem, sentei para esperar e vi dois homens conversando, um deles também tinha pedido dois lanches, quando questionado do por que pelo amigo, respondeu que tinha certeza que no futuro ia dar umas bolas num baseado e a larica ia bater. Ri alto e concordei, eles riram também, pensei em pedir um pouco de baseado, mas desisti da ideia rápido. Os dois continuaram conversando e o mesmo que pediu dois lanches falava que em setembro ia morar em Florianópolis, coisa comum por aqui, uma espécie de “american dream” do interior do Paraná, fiquei quieto.
    Um rapaz que parecia louco estava conversando com o chapeiro, “vou te falar o pior defeito dos homens Seu Tonho, a esperança, isso é que fode com tudo!” falou enquanto ria de leve. Olhei para ele, sorri, virei-me e percebi que concordava plenamente com ele, fiquei achando que ele poderia ser um gênio ou algo assim, sensação que sumiu assim que ele disse que ia ir no cemitério arranjar uma garganta nova por que a dele estava estragada de tanto beber coca congelada.
   Meus lanches ficaram prontos, ele não tinha Coca-Cola de dois litros, pedi duas cocas de um litro, saíram-me bem mais caras do que se fosse uma de dois litros, elogiei a malandragem do dono do lugar e fui-me embora. Percebi que três igrejas, que ficavam na mesma rua estavam sendo abertas e alguns imbecis, ou cristãos como costumam chamar, estavam passando, para mim aquilo parecia uma feira onde cada pastor oferecia seus serviços divinos e os idiotas entregavam todo seu dinheiro, olhei para um homem com uma bíblia e imaginei ele gritando “ Só hoje minha senhora, entrada no céu por apenas 199 e 95! Moça bonita não paga, mas também não leva!”, ri e depois de andar algumas quadras cheguei em casa.
   Comi um lanche e bebi uma das cocas, guardei o resto para mais tarde, ia precisar já que não tinha como cozinhar. Fui para o quarto, sentei-me na frente do computador, queria ver se uma moça pela qual eu tenho muito carinho, e um bocado de tesão também, tinha me deixado algum recado, não deixou.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A anciã promíscua.


    “Na minha época essas coisas de sexo eram diferentes” - dizia Dona Laura enquanto servia o chá para Guilherme. Laura, 64 anos, ex-atriz e viúva há vários anos, morava com a filha Isabela e seus dois netos, Alice e Cláudio. Guilherme tinha 17, era amigo do neto mais velho da idosa e o esperava sair do banho e terminar de se arrumar para irem a uma festa juntos. O rapaz era extrovertido então, apesar de nunca ter ido até aquela casa, conversava simpaticamente com a senhora. Laura para deixar o rapaz mais a vontade ainda, puxava conversas sobre assuntos que interessam a jovens, como sexo.
   -É como estou te dizendo menino, as moças de hoje em dia tem muito mais sorte do que eu tive e nem ao menos sabem ou aproveitam isso! 
   - Disso não sabia, achava que os antigos sempre faziam, qualquer coisa que seja, de modo melhor que hoje em dia. 
   -Faziam bosta! Antigamente os homens eram egoístas, pensavam só neles mesmos e no próprio prazer. Não que hoje seja muito diferente, mas agora vocês tem obrigação de serem bons de cama! 
    Oh? É um pouco estranho falar de sexo com a senhora. 
  - Relaxe menino, sou mulher vivida, já até enterrei um marido. Conheço bem o mundo e também a juventude, pode ficar tranquilo.
   - Não tenho dúvidas quanto a isto, só que a senhora é vó de um amigo meu, isso me soa estranho.   
   - Não estamos fazendo sexo, estamos falando sobre, menino, você tem conversas mais pesadas que esta na escola. 
   - Verdade. 
   - Como eu ia dizendo, os homens só pensavam em gozar, nem chupar xoxota eles chupavam!  
   - Triste, não? 
   - Pois é, homens que chupavam xoxota eram raros na minha época. Mais me diga menino, você chupa xoxotas? 
   - Claro! É obrigação. 
   - E você gosta de chupar? 
   - Creio que sim.
   A senhora salta para o lado do rapaz, e coloca as mãos nas suas coxas. O jovem sentiu-se intimidado, mas ao mesmo tempo até um pouco excitado, parecia que aquela senhora idosa sabia bem como excitar um adolescente. O rapaz não conseguiu mover-se, parecia que Laura tinha um poder, ela subiu a mão pela coxa do rapaz chegando a passar a mão por cima do seu zíper, ela sentiu que o volume da calça aumentava e sorria. O jovem parecia incomodado, enojado e ao mesmo tempo gostando um pouco. No fundo podia-se ver que Laura havia sido uma bela mulher no passado.
   - Responda menino, você vai chupar a minha xoxota?
   - Não sei não, a senhora já é . A voz do jovem saia baixa e envergonhada, talvez até enojada, ele até tentava de leve afastar a senhora, sem sucesso, ela ignorava as mãos do garoto.
    Laura ergue seu vestido branco com pequenas flores amarelas por todo o tecido e enquanto se levanta na frente do jovem abaixa uma calcinha de renda vermelha, parecia ser de uma marca boa. Uma vez em pé, Dona Laura, ou Laurinha como era conhecida nos tempos de TV, puxa a cabeça do jovem Guilherme até encostar em sua pele enrugada, o jovem apenas retira sua língua para fora. A velha fica a balançar a cabeça do rapaz e a soltar alguns gemidos enquanto Guilherme começa a sentir-se muito enojado e enjoado, ele consegue sentir um cheiro forte vindo da xoxota da mulher, parecendo que ela não tomava um banho há dias. Cláudio enquanto desce as escadas vê a cena e com uma cara de quem já viu aquilo antes grita furiosamente.
    - Porra !! Desde que eu tenho 12 não posso trazer um amigo nessa casa que você tenta transar com ele! Que que eu faço com você sua velha!?
    Ouvindo os gritos de seu neto, Laura solta a cabeça de Guilherme que vira na mesma hora seu rosto para o lado e vomita no lado do sofá. A senhora abaixa seu vestido, levanta sua calcinha e sai rapidamente na direção de seu quarto, ainda assim um sorriso largo de satisfação não saia da face da anciã promíscua. Cláudio faz sinal para que Guilherme levante-se e vai indo na direção da porta com um semblante irritado, mas nada mortal.
   - Isso acontece direto, sempre tem um idiota para cair no papo furado da velha! Seu otário!
    Guilherme lava a boca e o tênis numa torneira do lado de fora da casa e vai com Cláudio para a festa. Ambos conseguem agarrar-se com moças, Guilherme transa no carro com a sua, Cláudio por azar achou uma virgem (que queria manter-se assim). Eles deixam o vômito para Laura limpar, que o faz escutando seu disco do Wando e com um grande sorriso no rosto.
 
 
Até eu mesmo ando me assustando com minhas idéias, mas não creio que esteja pesado demais. Escrito num devaneio.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Fumantes não gostam de igrejas!


   Francisco acordou cedo, pela primeira vez em muito tempo. Sua mãe queria vê-lo, e para piorar decidiu levá-lo na missa. Mesmo sabendo que Chico era ateu, Dona Aurora, católica ferrenha, nunca desistia de converter o filho. Ele chega na igreja no horário, achou melhor marcar direto lá pois não gosta de ir na casa de sua mãe, sentou-se na ultima fileira e razoavelmente perto da porta enquanto sua mãe chega e senta ao lado. Trocam-se algumas palavras cotidianas, até que entra o padre anunciando o começo da cerimônia, todos silenciam-se e começa o ritual.
    Alguns minutos de rito vão passando e Chico precisava ir fumar, já não ligava mais para o que sua mãe iria pensar, só queria fumar um cigarro. Passa por um casal atrasado, uma mulher de cabelo vermelho grávida e um homem alto, chega ao lado de fora e vai até a sarjeta. Três riscadas e o isqueiro não acende, o único jeito seria ir até o bar que ficava na esquina e comprar um novo. Chico não queria demorar, comprou logo o isqueiro, saiu e acendeu seu cigarro, ele fuma rápido, e no tempo de chegar novamente a porta da igreja ele termina sua dose horária de fumaça e entra mal humorado na igreja, ele não queria estar ali, e queria que aquilo acabasse logo.
    Francisco senta no banco e diferente do que esperava, sua mãe não falou nada sobre sua saída, porém diferente dela, um fiel, que estava no banco da frente ao dele, irrita-se com a volta do jovem que está cheirando a cigarro.
   -Isso são horas de entrar na igreja rapaz!
    -Você não viu que eu tô aqui faz tempo seu babaca!
    Antes mesmo do senhor falar qualquer coisa, o fumante irritado tasca-lhe um soco na cara, não estava com paciência para aquela chatice toda. Logo ouviam-se os gritos e os empurrões, todos contra Francisco, coisas do tipo “vá embora da casa do senhor!” ou “ maldito pecador” eram ouvidos até do lado de fora da igreja. Mais ele não se importava, o que Chico queria era simplesmente sair dali.
    Sua mãe sai da igreja envergonhada e de cabeça baixa, ela dá um tapa no rosto de Chico.
   -Vira homem rapaz, nunca aparece e quando vem faz dessas! Vou embora, você que vá cuidar da sua vida!
  -Foda-se, só quero dormir!
   Enquanto sua mãe vai embora, Francisco acende outro cigarro, vai até o bar em que havia comprado o isqueiro, pede um dose dupla de conhaque, bebe, dá em cima da garçonete sem muito sucesso e vai para casa dormir, tinha acordado cedo.

sábado, 11 de junho de 2011

Reunião de família.


   Todo fim de ano a mesma coisa, toda a família Miranda se reúne aqui em casa para festejar o natal e o ano novo. Nunca entendi o por que aqui, mais tudo bem, até gosto deles, principalmente dos meus primos e primas, as vezes é bom ter pessoas de fora da cidade e da minha faixa etária dormindo na minha casa.
    A ceia do Natal acabou e alguns parentes foram embora, ficaram apenas um casal de tios e um primo, Roberto, ou Beto como a gente costuma chamar. Nunca fui de ter atração por garotos, mais a proximidade é um fator interessante, logo, ter um dormindo na sua casa pode mudar sua perspectiva do mundo. Ele era mais alto que eu, cabelos lisos e olhos escuros, acho que posso dizer que ele era bonito.
    Percebi que durante o jantar ele me olhava de um jeito diferente, mais não dei atenção, achava que esse lance de primos era besteira e que na verdade ninguém fazia isto. Chegou a hora da televisão, todos assistimos um pouco antes de dormir, era praxe. Eu e Roberto iriamos dormir na sala, pois meu quarto seria usado pelos pais do Beto, todos foram dormir e nós ficamos assistindo TV.
    Alguma conversa ou outra sobre o relacionamento possível entre primos, confirmando a teoria dos olhares, e quando vi ele estava em cima de mim, ele era afoito, quase selvagem, em pouquíssimo tempo já tinha descido meu shorts e baixado a boca em mim. Ao contrário do que pensei de começo, o fato de ser afoito não mostrava ineficácia na cama, pois aquele foi o melhor sexo oral que já recebi de um garoto, dizem que as meninas chupam melhor e estão certos, deve ter algo a ver com as mãos, mão de mulher é muito mais macia, não que eu tenha muita experiencia com sexo oral, mãos ou mulheres. Ele ia me chupando enquanto apertava minhas pernas e a única coisa que conseguia fazer era apertar sua cabeça contra meu corpo e aproveitar entre meio um ou outro gemido baixinho para não acordar o restante da casa.
    Ouvimos um barulho mais falei pra ele continuar, provavelmente era só alguém se mexendo na cama, e eu estava muito bem para parar. Errado. Era minha mãe, levantou coçando a bussa e acendendo um cigarro, estava indo na direção da cozinha, num primeiro momento não reparou em nós, mais antes que pudesse disfarçar qualquer coisa ela me pegou levantando o short e com Beto ajoelhado e limpando a boca na minha frente.
    Ela foi um tanto quanto peculiar olhando com uma cara de leve espanto.
   -Poxa Francisco, poderia pelo menos ter escolhido uma prima né!
   -Todas foram embora.
   Sentei com o short ainda arriado e com minha mãe ao meu lado fumando e falando baixo para não acordar ninguém na casa.
   -Bem, não tem problema, eu já tive fama de que beijava meu irmão, ele era adotivo e só um pouco mais novo, não tinha problema. Só não deixa seu pai não perceber, viado na família já tem demais!
    Ela termina o cigarro, volta pro quarto e terminamos o que tínhamos começado, no dia seguinte eles voltaram para cidade deles e a vida continuou.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Um trago.

   Comecei a frequentar aquele café em meados de 2010. Era um lugar agradável com uns belos lanches e o melhor café dos arredores da universidade, além do que, tinha ótimos livros à venda. Passava por lá pelo menos umas duas vezes por semana, havia virado cliente.
Um dia, a tarde havia acabado de começar, eu fui no balcão fazer meu pedido e conversei com Thais, uma das donas do lugar, tinha um lindo par de alargadores e um cabelo curto penteado de modo desleixado que juntos me davam 2 conclusões, a primeira, ela era linda e a segunda, era lésbica. Pedi um café expresso médio e um pedaço de pizza, fui sentar numa das mesas, o lugar tinha umas cadeiras acolchoadas extremamente confortáveis e do lugar em que estava podia-se ver uma prateleira com uns livros do Bukowski e outros de Graciliano Ramos.
   Meu pedido chega e quem o traz é uma nova e interessante garçonete. Ela era magra, muito magra, usava pequenos alargadores em contrabalanço com os seios fartos, alguns poderiam ver nela uma miss que acabou conhecendo crack, tinha a pele bem branca, usava um all-star branco e era mestiça, tinha um pouco de asiática pra dar um tom de mistério enquanto mostrava sua parte brasileira no modo de andar, não que ela rebolasse, mas que quando ela caminhava suas curvas ganhavam um ar mais belo isso era. Tinha um longo cabelo com franja e usava óculos, mas o que mais me chamou a atenção foi o fato de ter várias queimaduras que pareciam ser de cigarros espalhadas pelo braço, e junto delas o que pareciam ser alguns hematomas. Reparei bem no seu braço enquanto ela anotava na minha ficha o pedido, vi além das marcas, um anel vagabundo, na verdade acho que era uma aliança, parecia barata, com um pequeno diamante na ponta, que por sinal parecia bastante ser falso.
   Pensei de começo do mesmo modo que sempre penso, primeiro deduzi que ela tem um marido que bate nela, depois que não era assunto meu e não deveria me meter nisso. Não dei muita importância a ela naquele momento, porém, naquela noite ao dormir, aconteceu a pior coisa que pode acontecer pra mim em relação a uma mulher, sonhei com ela, pra mim sonhar com uma mulher é criar uma relação, mesmo que fantasiosa. No meu sonho eu via um homem que era um qualquer sem face batendo nela e queimando-a, e enquanto isso eu tomava uma dose de uísque assistindo a cena e aparentando gostar. Fiquei a pensar na moça por dias, continuei indo até o café e comecei a puxar alguns assuntos com a moça que continuava a andar sempre com hematomas e queimaduras pelo corpo, hora pedia um livro, hora pedia ajuda pra escolher a comida, fazia o que dava pra ela se sentir confortável comigo, até perguntei o nome dela de forma desbaratinada, era Marina, achei lindo.
   Os dias foram correndo e meus sonhos (pesadelos na verdade) iam continuando, várias ações e locais diferentes mais eu sempre via ela sofrendo em meus sonhos e não agia, na verdade, sempre aparecia gostando. Eu ia até aquele café e me sentia mal de olhar para aquela linda moça sabendo que ela sofria de violência doméstica e não fazia nada. Um dia não aguentei mais, quando ela trouxe meu café com creme e minha torta de frango com palmito segurei seus braços marcados pelo ódio de um desgraçado, segurei-os com calma, depois passei para as suas mãos e olhei em seus olhos.
    -Me fala, quem fez isso com você, eu vejo isso há semanas e não aguento mais! Me mostra onde está o maldito que vive fazendo essas maldades com você.
   A moça escuta minhas palavras como se já conhecesse toda a conversa, soltou minha mão, olhou de maneira séria para mim durante um tempo.
   - Vários já me falaram isso e a única coisa que queriam mesmo era me levar pra cama, você não deve ser diferente. Não existem mais boas pessoas no mundo!
   - Não é assim, até te acho bonita, mais como homem não consigo ver que você apanha e não fazer nada pra parar esse filho da puta!
   - Bem, se você realmente quer fazer algo, como diz, senhor herói, me encontre na esquina às 7, é a hora que eu saio.
   Concordei com ela e assim que terminei minha torta, retirei-me do café deixando-a avisada de que a esperaria, fiquei a tarde toda pensando em como ia ser resolver essa situação e então salvar a moça do maldito marido, pelo menos era o que eu achava.
Como prometi, fui até a esquina quando eram quase sete horas da noite e fiquei a esperar, nesse meio tempo fumei vários cigarros, muitos mais do que estou acostumado. Joguei a bituca no chão e vi ela vindo em minha direção, Marina, a linda mestiça com problemas familiares. Ela estava diferente de todas as vezes que eu a vi, óbvio, estava sem o uniforme do café. Mantinha o all-star branco de sempre, mais estava com meias que subiam suas lindas e finas pernas terminando em um pequeno shorts jeans, uma blusa preta apertada salientando seus seios e até maquiagem.A pequena moça sôfrega estava incrivelmente linda. Não teve outro jeito, me apaixonei.
   Ela chega, eu a cumprimento de forma diferente do habitual, dessa vez dei-lhe um beijo no rosto, no seu ambiente de trabalho tinha que ser diferente, mas ali, eu poderia tratá-la como uma pessoa próxima. Entramos no meu carro, ela fala onde fica seu apartamento e após alguns rodeios chegamos. Ela não estava muito comunicativa, mandou que a seguisse e foi subindo alguns lances de escadas, o lugar era horrível, paredes com mofo e descascando que até espantava ela chamar de casa. Chegamos ao terceiro andar, apartamento 302, ela abriu a porta, me chamou para entrar e me apontou o sofá como que mandando, sem nada dizer, que eu me sentasse.
   Não tinha mais ninguém na casa, logo, me senti como se estivesse armando uma tocaia. Eu me sentei como ela havia mandado, ela foi para a cozinha e voltou com uma dose de uísque, dá um gole e me dá o copo, eu bebo, ela não fala nada, e eu também não estava achando o que falar.
   Então, pela primeira vez desde que chegamos ao apartamento, a misteriosa Marina começa a falar enquanto fica em pé na minha frente.
   - Acende um cigarro. Quero fumar.
   - Não quer um inteiro?
   - Não, gosto de dar uma tragada só e apagar.
   Pego um cigarro no meu maço quase vazio, acendo-o dou um trago e passo para ela, a moça lindamente dá uma forte tragada e enquanto a fumaça sai devagar pela sua boca ela inclina a cabeça levemente para a direita, estende o antebraço esquerdo e apaga nele o cigarro pressionando fortemente enquanto geme baixinho com uma cara de prazer imensurável. Fiquei sem movimentos, só conseguia ficar contemplando a sua cara de tesão ao queimar-se e quando percebi estava excitado. Ela senta no meu colo, puxa um pouco meu cabelo e finalmente faço algo, não com um desgraçado que batia na esposa e sim com uma bela moça que curtia fumar apenas uma tragada de cada cigarro.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Interesse.

  Estava sentado num banco a alguns metros da porta da sala, havia um espaço aberto e lá eu tomava meu café antes da aula, normalmente esperar para entrar nesse maldito curso de culinária que sou obrigado a frequentar é entediante, mais esse dia em específico foi ímpar.
 Terminei meu café, levantei espreguiçando-me e, como que instintivamente, olhei para trás e antes de começar a caminhar no rumo da sala vi ela, Marina, a minha colega de sala que possui lindos olhos cor de mel e coxas vistosas. Ela veio até mim, me deu um forte abraço e serenamente falou que sentia minha falta, comentário provavelmente devido ao fato de não ir naquela atividade extremamente embaraçosa há duas semanas, gostaria muito de te-la beijado naquela hora mesmo, mais não tenho intimidade para isso, não por falta de vontade, simplesmente não tenho.
  A moça pede-me que a espere enquanto ela fuma, pois, gostaria da minha companhia para ir até a sala de aula. Sem ter como negar, sentei-me novamente após seu convite, vi ela pegando em sua bolsa um maço de LM com algum sabor místico, pois tinha uma embalagem colorida e bem trabalhada. Pegou o isqueiro com uma suavidade admirável, acendeu o cigarro e deu uma tragada de modo tão sexy, a me deixar de água na boca. Reparei também nos seus olhos castanho claro que estavam com uma leve maquiagem deixando-os mais charmosos, coisas belas como essa me fazem pensar um pouco em acreditar em deus, mais só um pouco.
   Conversamos um pouco até ela terminar o cigarro e a vi sensualmente jogando a bituca ao chão e pisando-a. Fomos juntos para a sala, uma aula teórica falando sobre a historia da gastronomia, chatíssima como todas as daquele cursinho de bosta. Retirei da minha pasta um livro de contos mórbidos escritos por Lygia Fagundes Teles e quando o abri, ela olhou para mim e pediu para vê-lo, como não recuso o pedido de alguém com peitos, entreguei a ela. A jovem folheou o livro um pouco, demonstrou um leve interesse e devolveu-me. Estava lendo um dos contos e percebi que ela estava interessada na aula, acho belo o modo como responde baixinho ao professor, sentindo-se satisfeita por respondido, mais ainda assim mantendo sua esporádica timidez.
 Sabe, olhava ela daquele jeito, na carteira, atenciosa, parecendo uma colegial. Para mim que já não sou um moleque esse tipo de coisa excita demais, queria tanto ficar entre as coxas dela e beijar seu pescoço de forma gostosa, sem dar a minima para os boçais que estavam ali. Sei que não tão imoralmente ela também se interessa por mim, ela dá alguns sinais, como o jeito de agir, os olhares de canto de olho por entre os cabelos lisos e escuros, essas coisas de mulheres mais jovens. Pensava em quem sabe tentar, e dar umas indiretas, ela perceberia que a quero e poderia até curtir a ideia, normalmente não sou tão promíscuo, mais ultimamente não ando ligando muito pra isso.
  A aula acabou, me despedi dela com outro abraço e um beijo no rosto, mais bem próximo da boca, pra ela poder sentir meu carinho especial. Cheguei em casa meio cansado mais ainda com vontade de transar, dei um beijo longo em minha esposa, ajudei um pouco meu filho no dever de casa, era matemática, e fui deitar-me, tentei excitar minha mulher que segundo ela mesma não podia transar pois precisava ir na feira de manhã, então dormi, tive um sonho erótico com a doce Marina e acordei gozado.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Um drogado pode se apaixonar?

Era uma manha de sexta na cidade de Maringá, norte do Paraná, para alguns o fim do mundo para outros o centro dele. Nossa historia começa com Jéssica, ela andava pela rua Osvaldo Cruz, sempre passava pela mesma rua, era uma rua consideravelmente perigosa durante a noite e o começo da manha, mais ela era “das ruas” e não iria ser nenhum drogado que iria fazer ela ficar surpresa. Bem, isso era o que ela pensava. Jéssica, ou Jess para os mais íntimos fazia o tipo “underground”, cabelos repicados maquiagem forte nos olhos 100% do tempo, tatuagem no ombro que só não ficava a mostra quando o frio intenso não permitia, uma coragem estampada na cara, como se o mínimo sinal de ameaça seria suficiente para ela se irritar e socar a cara do primeiro que aparecesse e não duvide de Jess, pois apesar de parecer frágil, ela já fez marmanjos muito maiores que ela caírem na base da porrada. Ela passava naquela rua apenas para ir até a casa do seu “drug dealer” e em seguida para o trabalho, já faziam seis meses que a moça não trabalhava sem mandar uma carreira. Ela ia passando e na rua estava um grupo com cerca de 4 usuários de crack, todos a observam e ela sem medo algum encara todos. Mais nesse grupo temos um indivíduo em especial, Lucas, ele é o outro lado da nossa história, diferente dos outros 3 do grupo que nem seus nomes ditos terão, Lucas olhou com outros olhos para Jess, os olhos de um apaixonado, os olhos de uma drogado apaixonado. Na sua cabeça só passava uma coisa, como aquela mulher tão linda e tão arisca ao mesmo tempo pode passar encará-lo e nem mesmo perceber realmente quem era ele. Agora você se pergunta, reflexão meio profunda para um drogado não? Na verdade não, mais nosso Lucas teve uma vida complicada, filho de comerciantes nunca foi extremamente abastado, porem fome nunca foi algo que ele sentiu. Infelizmente Lucas sempre esteve a procura de agitação em sua vida, então ele apresentou-se ao crack. No começo era uma loucura só, toda a agitação que ele buscava estava ali e sua vida não havia sido afetada em nada, então ele foi apresentado ao vicio e sua vida mudou, não cabe agora contar toda a vida de Lucas, mais ele era inteligente o suficiente para refletir do modo apresentado anteriormente. Ele sabia que a mulher que passava só via nele um “nóia”, via nele somente a mascara suja e mal cheirosa que o vicio deixara presa e que provavelmente nunca sairia.
Mais uma qualidade de Lucas o crack nunca tirou, sua coragem e obstinação. Então ele tomou fôlego e com sua pose de apaixonado foi falar com a moça, ela já havia andado um pouco e ele foi atrás, andou um pouco mais rápido enquanto ensaiava o que dizer para a linda moça de olhar raivoso. Ele foi chegando perto e a chamou de modo delicado:
-Ei moça, espere por favor!
Jess não tinha medo dele, na verdade era ele que deveria ter medo dela. Jess começou a andar um pouco mais devagar sem falar nada e quando Lucas chegou perto suficiente ela gira no sentido dele e lhe da um soco em seu rosto falando bem alto:
-Você quer algo? Que tal isso? Hein? Hein!!!?
Lucas totalmente envergonhado grita falando para a moça que não queria assalta-la:
-Não é isso não moça, por favor espere, não quero te machucar!
Jéssica para e olha seriamente para ele, faz um sinal para que ele fale, logo ele começa.
-É que vi a senhorita passando sabe, e sei que isso é ousadia minha, mais achei você muito atraente, sei que não sou grande coisa, mais gostaria de saber se você não gostaria de tomar um café comigo na cantina do Restaurante Universitário.
A moça olhava para ele com grande desdém, ela percebeu que incrivelmente os sentimentos daquele estranho drogado pareciam verdadeiros. Ela pensou em acabar com sua moral mandando-o a merda como fazia com caras que não gostava, mais ela não tinha coração ruim, somente arisco, então vestiu-se num manto de doçura e suavemente deu a melhor resposta que poderia dar:
-Olha, não vou mentir para você, não tenho o mínimo interesse em sair com um “nóia”, você já devia saber disso quando veio até mim, mais devo dizer que não é nada pessoal. A sociedade fez a regra que separa o meu tipo do seu, eu somente sigo essa regra, acostume-se com isso, ou você vira "gente" ou esqueça de um dia ter uma mulher ao seu lado.

Jess segue seu caminho sem esperar resposta, porem diferente do que pensava, um "nóia" a surpreendeu e Lucas com sua face ainda dolorida do forte soco da jovem, olha para ela indo embora, pensa em sua resposta e como ela era carregada de preconceito e ao mesmo tempo de uma dura verdade, ninguém que estava naquela rua conseguiu ver, mais na face do nosso drogado escorria uma lagrima. Ele engoliu o choro, voltou para junto de seus companheiros que estavam rindo da situação achando que ele havia apanhado de uma moça por tentar assalta-la e voltou para sua rotina, pegou sua lata amassada, colocou seu crack e acendeu, sustentando seu vicio ele percebeu que nunca haveria outro final para aquela situação. Outros dias ele viu Jess, mais não falou nada, apenas continuava sua “rotina”, adicionando a ela observar a linda moça que lhe dera um duro fora passar.



Esse texto foi feito pensando em uma fonte de visita para o blog: pesquisaram no Google: “um drogado pode se apaixonar”, quando vi pensei na história. Um tanto quanto enfadonha, mais era só para não perder o lampejo da pergunta de alguém por ai que procura saber se nas historias dos drogados algum deles se apaixona.