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sábado, 24 de setembro de 2011

Complexo de Rachel Weisz.


Tinha acabado de sair de um coquetel de finalização de um congresso, estava entediado lá, um bando de professores com seus blazeres de flanela e seus sapatos de ponta fina e suas caras de superior, que apareciam apenas com a finalidade de ocultar suas psicoses. Eu odiava aquele congresso, aquela gente, estava odiando até mesmo o fato de ter que respirar o mesmo ar que aqueles otários. Chamei os que eram decentes daquela corja toda e avisei onde irem, um bar a algumas quadras dali e fui levar Mônica até sua casa, ela era uma caloura minha e estava bêbada, ela era fraca para bebida e na festividade serviram vinho. Deixando ela em casa, ela percebeu meus dentes levemente arroxeados.
    -Seus dentes estão roxos de vinho.
    -OK, não posso fazer nada.
    -Meus dentes estão roxos?
   Conferi os seus dentes, estavam bem manchados e dava para sentir o cheiro de vinho vindo dela.
    -Muito. Você deveria escovar os dentes, vou indo.

   Me despedi e continuei a andar pela rua, era uma noite fria e com neblina, fraca, porém, existente, tirei um fino que tinha no bolso e o acendi, a fumaça esquentava meu pulmão, e comecei a caminhar mais rápido. Cheguei no bar, chamava-se “São Francisco”, quando ia entrando reparei numa guria adorável, ela tinha um cabelo longo, liso e de um vermelho escuro, além de umas coxas, que coxas eram aquelas, me lembravam as coxas da Rachel Weisz, e qualquer mulher que me lembre a Rachel Weisz merece admiração. Olhei ao redor, o pessoal já havia chegado e trouxeram com eles uma quantidade razoável de pessoas, tinham 4 mesas encostadas e eu sentei-me com eles.
    Pedi uma dose de conhaque com gelo e comecei a conversar com o cara ao meu lado, era um veterano pelo qual tinha algum respeito, falamos sobre o modo místico que historiadores lidam com piadas, não sabendo fazê-las ou mesmo ouvi-las, e também como um comediante da internet fez piadas com certos ditadores do século XX. Historiadores, sempre tentando explicar tudo de modo contextual, nunca dão o braço a torcer e sempre precisam de algo que comprove ou embase o que eles vão falar, enquanto pensava isso agradecia por não ser um historiador ainda. Terminei minha dose de forma rápida, pedi outra e saí com um outro amigo, ele ia fumar e eu queria continuar uma conversa que tínhamos e também olhar a mulher de cabelos vermelhos. Falávamos sobre mulheres do passado e do presente, aquele era um assunto que me agradava. Troquei olhares com a moça que estava reparando, ela não parecia interessada, mas, ainda assim me sentia tentado por aquelas coxas.
    -Você viu aquelas coxas? Perguntei ao Ítalo, o amigo fumante.
    -As da ruiva?

    -É. Elas são perfeitas, me lembram a da Rachel Weisz.
    -São muito bonitas mesmo.
    -Ela não é ruiva, ela tem cabelo vermelho.
    -Não é a mesma coisa?
    -Eu também achava, mas um dia conheci uma guria meio doida que tinha belos cabelos vermelhos, ela era linda, baixinha, e bem inteligente, uma vez chamei-a de ruiva e fui xingado igual um filho de puta. Depois disso sempre corrijo os outros caras, pelo que entendi dessa pira toda, elas não gostam de ser chamadas de ruivas.
    -Interessante, terminei o cigarro, vamos indo?
    Sentamos de volta a mesa e terminei minha segunda dose, estava meio bêbado. Pedi a terceira dose e fui ao banheiro, agarrei-me ao primeiro mictório que achei, abri a calca tirei, mijei, estava branquíssima minha urina, puro álcool, chacoalhei, guardei, lavei minha mão, vi um cara ao meu lado sair sem fazê-lo e voltei a mesa, o conhaque me esperava, continuei bebendo, conversando com Ítalo, descobri que o primeiro nome verdadeiro da Rachel Weisz é Elizabeth, que a porcaria do cheiro da chuva tem um nome, mas não me lembro mais qual é e que a deliciosa Bruna Caram nasceu em Avaré, cidade natal dele.

   Continuei a beber, terminei a terceira dose e pedi a quarta, terminei a quarta e pedi a quinta, depois disso estava bêbado demais para conversar, fiquei um tempo na mesa e resolvi ir embora, deixei algumas notas na mesa, peguei minha carteira e as chaves, despedi-me do Ítalo e deixei os outros de lado, eram muitas pessoas e eu estava muito bêbado e elas estavam ocupadas com suas conversas sem importância. Fui ao estacionamento e apertei o botão do alarme, uma luz piscou e uma buzina rápida tocou, fui até o carro, liguei-o, dei a ré, andei um pouco e bati de leve em outro, nessa hora lembrei que tinha vendido meu carro há um mês para pagar umas dívidas. Saí do carro, olhei de canto para a direção do bar, parecia que ninguém tinha percebido o que eu tinha feito, aproveitei e saí de fininho, deixei o carro aberto e fui embora, acho eu que despercebido. Cheguei em casa com dificuldade, deitei na cama sem nem mesmo o tênis tirar e dormi, acordei no meio da noite corri até o banheiro e vomitei muito, lavei minha boca, tomei alguma água, da torneira do banheiro mesmo e voltei para a cama. Sonhei com um acidente de carro e com a Rachel Weisz, acordei durante a tarde, fiquei o dia todo esperando que me ligassem reclamando pelo carro, não o fizeram, achei ótimo, não teria dinheiro para pagar o concerto de um carro. Acho que tenho alguma paranoia com a Rachel Weisz.

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Texto simples e escrito meio bêbado, não me julguem.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ensaio sobre o boteco e o velho que é rei.



   A grande maioria das pessoas despreza os botecos de bairro, aqueles com a fachada patrocinada por alguma marca de cerveja e que geralmente são comandados por um velhinho e sua prole. Por não entenderem a complexidade do barzinho quanto instituição ou simplesmente por não acharem esteticamente belos, as pessoas passam despercebidas por esses locais, deixando de absorver uma carga cultural de grandeza admirável. O que quero explicar aqui é a forma desenvolvida e hierárquica dos botecos enquanto instituição social e fonte de entretenimento de determinados grupos.
    Começarei pelo nome. O nome do bar pertencente a um tiozinho, sempre possuirá o nome do mesmo, tendo o objetivo de mostrar quem domina o território, exemplo semelhante temos em Castela (Reino da península Ibérica que hoje pertence ao território espanhol, chamado Reino de Castela devido ao nome da família real), percebem a inspiração histórica de todos os anciões criadores de bares de bairro? O dono do bar pode ser comparado a um monarca, pois, rege as leis do estabelecimento e domina a política local, controlando coisas como economia (fazer ou não fiado, o tamanho do desconto ou acréscimo de acordo com o nível etílico de cada cliente, os impostos sobre as mesas de sinuca e baralho, etc.), alimentação (avisando a velhinha que costuma ser sua esposa de que as coxinhas, ovos de codorna ou queijos em nó acabaram, solicitando-a nova remessa), entretenimento para a população (manutenção dos baralhos, garantia de uma mesa de sinuca íngreme e música de qualidade duvidosa tocando todo momento) entre outras funções cabíveis a um rei de respeito.
   Ao lado do nosso monarca de boteco temos sua esposa, a senhora que normalmente tem uma voz exageradamente alta e aguda, ela é responsável pelas funções de limpeza e preparação dos quitutes que só um bom bar de tio possui, normalmente elas tem nomes curtos e de fácil pronúncia para auxílio dos bêbados (Edna, Maria, Perina). Ao lado dela temos em alguns casos as filhas do monarca, que são quase sempre muito cobiçadas dentro do local, tendo em vista que é rara a presença feminina. Muitos monarcas tendem a privar o espaço das "princesas" colocando-as presas na cozinha auxiliando a mãe, evitando assim contatos indesejados com os frequentadores, possivelmente pervertidos ou apenas necessitados de sexo, do local. Enquanto isso, os filhos homens do velhinho, tendem a melhorar suas habilidades nas supracitadas sinuca e jogos de baralho em geral, e auxiliar o pai no papel de servir os frequentadores do local, eles também podem desenvolver-se nas atividades com drinks, aprendendo por exemplo a fazer o famosíssimo rabo de galo ou a deliciosa e clássica caipirinha, assim sendo, os filhos homens são o grupo mais eclético de todo o “reino”.
    Saindo da elite dominante chegamos às classes distintas de clientes, temos vários tipos diferentes que circulam pelo lugar. De começo, na beira do balcão temos os clientes mais assíduos, estes sempre ficam ali, bebendo diversos tipos de bebidas, consumindo variadas guloseimas e aperitivos e conversando diretamente com o dono do bar (não que as outras classes não falem com o rei, é que esta mantém-se mais "próxima" da figura monárquica), eles têm boa relação política com todas as outras classes, mantendo-se neutros nas disputas que ocorrem dentro do boteco, alguns membros dessa classe tendem a esporadicamente frequentar as mesas de sinuca ou baralho como forma de entretenimento, afinal a politicagem e a conversa fiada podem entediar.
   Agora temos duas classes rivais, podemos considerá-los a classe média dos botecos, estes são os jogadores de sinuca de um lado, digladiando-se com os apreciadores das artes do baralho de outro, em um bom bar de bairro com nome de senhor, sempre haverá disputas por espaço e reclamações por parte dos baralhistas (palavra em que estou em dúvida acerca da existência) e dos sinuqueiros (palavra que eu tenho certeza que não existe, porém a usarei na falta de termo melhor). Os jogadores de baralho costumam reclamar das tacadas por acidente (ou não) que levam enquanto os apreciadores do bilhar reclamam da falta de espaço e da esbórnia dos truqueiros, pokeiros e cacheteiros.
   Temos mais personagens nessa complexa estrutura butequística, mas a demanda de tempo necessária para falar sobre elas é alem de minha capacidade atual. Assim sendo, por último vou falar sobre a classe mais abalada pelos males do mundo em todo o boteco, os bêbados que ficam na porta do bar ou no banheiro. Estes são os párias do local, o monarca tende a ter certo apreço por eles, mas também os ignora a fim de manter a paz no recinto. Eles têm toda uma cultura própria, nela encontramos tradições fortemente enraizadas, como por exemplo, cantar (xavecar, mexer) todos os seres possuidores de vagina que passam em frente ao bar. Uma curiosidade acerca desse costume é que ele limita-se ao falar, ou seja, eles sempre partem do pressuposto que a pessoa do sexo oposto vai ignorá-lo, sendo assim no caso de serem desafiados a cumprir o que prometem no xaveco, (a expressão usada por eles “ô lá em casa” ilustra isso) é comum que o bêbado decline, passando assim a imagem de covarde que está entrelaçada psicologicamente a ele. O mau cheiro em grande parte das vezes acompanha essa classe como um fiel cão acompanha seu dono, sendo estas uma de suas características mais conhecidas. Um último, mas não menos importante aspecto da cultura da cachaça (termo cunhado pelo grande sociólogo Gilberto Irmão, também conhecido como Gil Brother ou Away de Petrópolis, grande estudioso da classe bêbada nos botecos de toda província do Rio de Janeiro no tempo do Império) é a sua capacidade migratória, eles tendem a criar rotas saindo de suas casas passando por vários, as vezes dezenas de bares com nome de velhinho, estabelecendo assim a embriaguez total e então começarem a difícil jornada de volta para casa, lendas antigas dessa classe dizem que essa é uma tradição inspirada no movimento migratório dos albatrozes, espécie em que a migração serve de seleção natural, excluindo os indivíduos com menor capacidade de sobrevivência.
   Concluindo, a estrutura social chamada boteco, barzinho, taberna ou simplesmente bodega possui complexidade política, cultural e econômica notável e seria um erro por parte de qualquer ser humano que tenha interesse em história, sociologia, filosofia ou qualquer uma das ciências humanas desprezar tamanha riqueza de conhecimento. Agora peço que todos que leram este texto deem valor maior a cada copo de cerveja barata consumido no Bar do Lourival (nome meramente ilustrativo).

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Um pouco diferente do meu habitual estilo de escrita. Dedicado a Elô do elosuda.tumblr que me ajudou com conversas mistícas.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Manteiga no rosto é o segredo para sedução.


   Muitos já devem ter escrito sobre o que andou rolando nos últimos dias na Universidade Estadual de Maringá, porém, nenhum deles tem meu jeito de ver as coisas, um jeito que eu chamaria de um tanto quanto peculiar. Não cabe aqui falar sobre todas as facetas da minha personalidade, então com base nos fatos que irei descrever vocês tirem suas próprias conclusões. Nessa pequena conversa mostrarei como eu, Francisco Miranda, estudante de história e participante de todas as ações políticas que ocorreram na UEM no decorrer das últimas semanas viu a situação.
    Acordei atrasado para o ato, não muito, mas com certeza iria chegar depois do início. Como café da manhã bebi um pouco de leite com chocolate, se bem me lembro, duas fatias de pão e por último alguns goles de uma batida de coco que estava na geladeira. Queria participar do ato, então me apressei, não daria tempo de tomar um banho, então só troquei de roupa e reforcei meu desodorante. Fui andando rápido até o DCE, onde não achei mais ninguém (lá era o ponto de inicio da porra toda), porém, conseguia ouvir vozes vindo da direção da avenida Colombo, fui até lá. Quando cheguei encontrei uma multidão, um carro com caixas de som em cima, de onde os comunistas que estavam organizando a manifestação falavam palavras de ordem não muito bem ensaiadas e que a grande maioria das pessoas erravam, não era bonito de se ouvir, mas era engraçado.
    Havia combinado de me encontrar com alguns amigos que já estavam ali, então fui procurá-los, acho que sou bom nessas coisas, pois em questão de 2 ou 3 minutos já tinha achado eles num grupo com cerca de 600 pessoas. Agora estávamos em 4, engatei uma conversa com Hélio enquanto íamos andando e entremeio o diálogo gritávamos as palavras de ordem que estavam rolando. Íamos falando sobre a quantidade mística de mulheres belas que estavam ali, e as que se destacavam no montante de estudantes, universitárias e gostosas, ganhavam comentários perversos. Andamos até uma esquina, depois fizemos a volta e chegamos na reitoria, fui acompanhando com os olhos uma bela moça de cabelo ruivo, mas desisti dela quando a vi beijando seu namorado, uma vez na reitoria o momento chave de toda a semana chegou, o reitor entregou a carta com a resposta das reivindicações que foram feitas a ele 15 dias antes (estou falando sobre meu ponto de vista, então não é necessário que você esteja totalmente inteirado da situação), uma vez com a carta em mãos, um jovem que cursava educação física e tinha cara de idiota leu-a na frente de todos. Era lixo, pura balela em vão usada para tentar apaziguar a ira dos manifestantes, ele questionou o que deveríamos fazer e uma proposta surgiu, só uma, mas que seria extremamente eficiente, invadir a reitoria e ocupá-la até ter uma resposta digna de pessoas que são o futuro do país. O espírito de anarquia tomou conta de todos e com uma decisão praticamente unanime invadimos o prédio, com o passar de algumas horas todos os funcionários estavam fora e estávamos organizando tudo para que aquela ocupação fosse perfeita. No começo da noite eu havia sido encarregado membro da comissão de segurança, iriamos guardar todos no local, grande coisa, as pessoas estavam numa sinergia tão grande que não era necessário alguém para garantir segurança, mas existiam fatores externos, o que tornava minha função compreensível. Fui para minha casa e tomei um bom banho e arrumei minhas coisas, voltei por volta das 11 da noite para a reitoria, seria uma longa noite.   Durante todo o tempo que fiquei lá, volta e meia via uma mulher, ela era baixa e levemente rechonchuda, com um olhar e um jeito tão meigos que me balançaram profundamente (sou pego muito fácil por trejeitos), ela tinha uma câmera na mão quase todo o tempo, loira e com uma pinta no rosto, uma dessas moças que te fazem escutar Belle and Sebastian na cabeça de tão encantadoras, além do que usava um vestido bonito, que dava a impressão que aquela cativante guria tinha vindo direto dos anos 50 para mim. Já tinha visto ela nos arredores da universidade e em outros pontos da cidade, mas naquele dia ela estava especialmente linda. Não sou o tipo que vai atrás de mulheres desconhecidas, então fiquei a esperar algum sinal da parte dela. A noite foi indo e um acampamento foi firmado no local, um espírito de luta dominava todos, era lindo, aquele lugar parecia uma comunidade alternativa, mas com o privilégio de ter uma lanchonete a 50 metros dali.
    Não comentei quando falei de minha função lá, mas das 4 até as 8 da manhã seria meu “turno”. Durante esse tempo conheci gente nova, algumas pessoas interessantes, muita gente chata e uma mulher bem malandra (que não vem ao caso falar sobre agora), foi interessante, eu que normalmente sou fechado estava até conversando com o pessoal. O dia foi amanhecendo e as pessoas presentes foram levantando, eu estava na porta cuidando para que nenhuma pessoa que não fosse um estudante ou parceiro nosso entrasse (não era um trabalho difícil, afinal, estava tudo meio parado). Os estudantes começaram a sair de dentro da reitoria (tenho que explicar que não havia como dormir todos lá dentro, logo, alguns acamparam fora enquanto a outra parte ficou lá dentro).
   A linda moça de que estava falando acima saiu, ela tinha em sua mão uma caneca preta e longa com café puro nela, ela estava com aquela expressão acabada de começo de manhã, não era algo lindo de se ver, mas, achei fofo, em sua outra mão um pão com manteiga que a galera da comissão de cozinha estava servindo, ela andou um pouco e conversou com alguns humanos que me foram ofuscados pela beleza da pequena jovem, ela tinha uns trejeitos com a cabeça muito engraçados e ao mesmo tempo belos, essas coisas que nos dão até uma indignação. Agora ela estava vindo na minha direção (mentira, ela estava indo para a porta que estava atrás de mim, mas posso me iludir do jeito que bem me convier), enquanto comia seu pão, um pouco da manteiga ficara em seu rosto, tão lindo, tão tolo, tão apaixonante, quando ia entrar no prédio, de forma envergonha falei-a “moça, tem … no seu rosto” (onde deveria falar manteiga simplesmente apontei para região onde estava sujo nela, em minha própria face), mal consegui falar a frase toda, ela limpou-se e agradeceu falando um obrigada bem baixinho com uma cara de vergonha, fiquei todo derretido, aquela moça tinha ganhado muito do meu interesse.   Após algum tempo, chegou às 8 horas e eu precisava ir para a aula, larguei o meu posto e fui na direção de minha casa, queria tomar um banho antes de ir para aula. Pensava muito na moça loira. Enquanto andava ouvi um homem que caminhava ao meu lado falando algo no celular sobre o céu e balões, quando olhei para minha esquerda com o fim de atravessar a rua, vi dois balões desses de ar quente sobrevoando a Universidade bem de perto, achei bonito e sorri. 
   Continuei andando e ao chegar a uma passarela da UEM que passa por um campo aberto vi vários balões enquanto escutava o som de suas turbinas (ou seja lá que caralho move aquilo), estava com um sentimento de felicidade, fiquei sorridente. Cheguei em minha casa e desisti de ir na aula, estava cansado, deitei, dormi, sonhei com a moça e acordei bobo, estava apaixonado ou pelo menos encantado, até tentei me sentir mal por minha atenção naquela coisa toda ter sido da jovem e não do movimento estudantil, mas não consegui, no fundo, para mim, mulheres são mais atraentes que a política.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Corações.

   Estávamos num grupo de pessoas, amigos, amigos de amigos, pessoas que nunca nem vi na vida. Ela era uma conhecida até o momento, tínhamos uma amiga em comum. Era uma daquelas noites de outono, em que em questão de minutos, talvez horas a temperatura muda drasticamente e nesses dias é fácil ser pego de surpresa pelo frio, principalmente num lugar igual ao bosque das grevíleas.
   Neste dia, estávamos com algumas garrafas de vinho barato, muitos baseados e um violão. Eu nunca havia dado muito atenção a aquela moça, mas naquele dia ela estava impressionantemente sexy, a ponto de prender meu olhar. Sentei ao seu lado, nesta hora a temperatura estava começando a descer e ela vestia apenas uma blusa com decote e um casaco finíssimo. Eu pedi o violão para um rapaz que estava a alguns minutos balbuciando algumas músicas do Jorge bem e como nunca fui bom cantor, pedi para Carlos, um amigo, para que cantasse uma música que eu iria tocar. Sabia que ela gostava de grunge, então resolvi tocar “creep” do Stone Temple Pilots, após o fim da música percebi que minha atitude tinha dado certo, ela estava me olhando de uma maneira mais encantadora, ou melhor dizendo, encantada.
   Conversamos durante um tempo, então o frio maligno veio, ela parecia um pequeno filhote congelando, achei belo. Sempre me apaixonei fácil e acho que isso sempre foi de fácil percepção, também fui sempre um romântico e gostava de fazer coisas românticas, então resolvi armar algo.
    Quando a vi tremendo de frio e bebendo para tentar esquentar, tirei minha blusa, coloquei dentro do bolso de forma disfarçada meu coração e sem mesmo que ela pedisse, envolvi a pequena jovem, seu nome era Luíza, com meu grande moletom que aceitou de bom grado. Também não avisei ela do que havia em meus bolsos, estava seguro de que ela iria perceber e, quando isso acontecesse, teria terminado minha jogada e era quase certo que ela iria retribuir entregando-me o seu coração, assim ficaríamos juntos.
   Impressionante a crueldade com que a lei de Murphy pode ter. Não sei dizer se ela não viu, ou se não gostou da ideia de ganhar meu coração e jogou-o fora, mas acerca desse assunto ela não comentou nada, e desestimulado pelo fato da minha “grande sacada” não ter tido o efeito esperado, pelo menos não no momento, nosso “clima” acabou esfriando. O fim da noite foi chegando e ela anunciou sua partida, para tentar garantir que iríamos nos encontrar novamente, pedi que ficasse com a blusa e assim ficar aquecida até chegar em casa, com a desculpa de “saber como estava minha blusa” peguei seu telefone.
    Alguns dias se passaram e não liguei para ela de começo, queria ver se ela me daria alguma atenção na internet, local por onde tínhamos algum (quase zero) contato antes desta noite, ela não deu. Depois de uma semana comecei a sentir a falta do meu coração, e quando a amiga que tínhamos em comum entregou-me o casaco sem o coração no bolso, pensei, demorou um pouco para ela perceber, mas ela gostou do meu gesto, tenho que ir atrás dela e de um coração, sendo o dela ou o meu. Peguei meu telefone e liguei para ela com um frio na barriga, característico de um começo de flerte, na primeira tentativa ela nem atendeu, passado um dia, tornei a ligar e desta vez sua doce voz entrou suavemente em meus ouvidos.
    -Alô!?
   -Alô! Luíza?
   -Sim, quem fala?
   -Oi, aqui é o Francisco, lembra? O amigo da Laura...
   -Oh!? Claro, tudo bem?
   -Tudo ótimo e você como está?
   -Bem bem, tudo certo.
   -Então, lembra que naquele dia do “grevas” você ficou com meu moletom?
   -Sim, claro. Mas eu deixei ele com a Laurinha uns dois dias depois, ela não lhe entregou ainda?
   -Ah, sim, entregou sim. É que eu esqueci um... coisa no bolso e creio que você tenha achado.
   -Na verdade não me lembro de ter achado nada, acho que nem mesmo conferi os bolsos, não tenho esse costume. Mas eu estava meio bêbada aquela noite, o que você deixou na blusa?
   -Então... Olha que cabeça a minha, esqueci meu coração, sou um relapso, não!?
    -Nossa, nem sabia que você tinha um. Olha eu tenho certeza que não tem nenhum coração aqui em casa, você pode ter deixado ele cair antes de me entregar.
    -Bem, obrigado de todo modo, e hein, sexta-feira vai ter rolar um blues no tribos, a gente deveria ir!
    -Vou ver, se for o caso combino com a Laurinha.-É, OK, beijo.
    -Beijo.
    Fiquei embasbacado ao colocar o telefone de volta no gancho, onde caralho estaria aquele pedaço de mim. Uma agonia foi me pegando de jeito, afinal, enquanto eu achava que ele estava com a Luíza, tudo bem, ele estava seguro, mas agora, eu não sabia onde meu precioso (ou talvez nem tanto, já que entreguei-lhe para a primeira que apareceu) coração.
   Agora a única coisa que eu queria era ter meu frágil coração de volta e no melhor estado possível. Sendo assim, fui atrás de Laura, a amiga que me entregou o moletom, achei que poderia ter ficado na blusa e assim passado despercebido por Luíza. Estava num livre, então fui até a casa de Laura, obviamente depois de ter ligado e conferido se ela estaria lá. Entrei em seu apartamento, o 802 do edifício Classic, era muito agradável, tinha uma pequena e aconchegante sacada e os móveis haviam sido bem escolhidos, não consegui aproveitar decentemente a beleza do lugar, quando seu coração está na posse de outras pessoas, sem você estar com o delas, fica difícil sentir esse tipo de coisa, falta-lhe algo. Sentei-me numa boa poltrona de madeira com estofados e percebi que estava soando.

   -Laura, tô preocupado, meu coração ficou naquele meu moletom que deixei com a Luíza, sua amiga, e não tá com ela e nem na blusa. Por acaso não ficou com você?
    -Coração? Nem tava sabendo que você tinha arrumado um Chico.
    -Eu sempre tive um! E ando escutando muito isso ultimamente.
    -HAHAHA! Bem, não tá aqui não, mas você é um besta mesmo hein! Foi deixar seu coraçãozinho pequenino com a Luíza, não foi muito inteligente, HAHAHA!
  -Eu não DEIXEI com ela, eu esqueci!
  -Sei, essa é meio velha né meu bem. Quer café?
    -Não, vou indo, tenho que achar essa merda de coração logo, não aguento mais isso!
    Fui-me embora e no dia seguinte fui no único lugar em que poderia estar e ainda ter alguma chance de achar, o bosque das grevíleas. Cheguei no “grevas” ainda de manhã, estava com sono e o orvalho estava na grama e nas folhas. Cheguei até o local onde estávamos naquela noite, andei por alguns minutos procurando e finalmente, somente a alguns centímetros de onde Luíza estava sentada, achei a parte que me faltava, meu cansado coração estava de volta.
    Pela posição em que estava parecia ter sido chutado, além do que tinha uma marca de sapato, mas era de um pé grande, todo modo, nunca terei certeza se a moça jogou meu coração fora, ou se apenas nunca chegou a tê-lo nas mãos de verdade. Uma vez com minha “válvula de emoções” em minhas mãos novamente, vi que ele estava sujo e amassado, molhado de orvalho e machucado, limpei-o com minha camisa, que por sua vez ficou bem suja, tentei consertar o amassado, mas não consegui desamassar tudo.
    Apesar de amassado, ele parecia funcionar bem, coloquei-o de volta em seu lugar e o vi começando a trabalhar novamente, estava lento, recuperando-se e isso levaria um tempo, me senti melhor com ele de volta no meu peito. Fechei minha camisa e fui beber, afinal, tinha que comemorar a volta de um bom e, apesar de desleal, velho amigo.



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Baseado na música "Devolve, Moço" da incrível Ana Canãs. Quem quiser ouvir Clique aqui.
Agradecimentos ao Paulo Henrique (CHE) de Souza, do Poesias do CHE por me arranjar um caderno com poderes mágicos.

Ruivas, belas e pernetas.


   É impressionante a capacidade humana de criar manias. Eu sempre fui muito bom em criar as minhas, uma vez cismei que deveria bater duas vezes os talheres, fazendo um som agudo, para “avisar” meu estômago que a festa estava começando. Outra vez adquiri o hábito de arrumar minha camiseta, puxando-a para baixo e descolando-a do corpo, toda vez que meu relógio tocava, o que ocorria de hora em hora.
    Uma vez dito que sou um homem de manias, vou lhe falar um pouco sobre as épocas em que misturei minhas manias, que criam-se todo o tempo e minha vida amorosa, também conhecida em alguns lugares como “insanidade injustificável”.
    Estava no segundo ano de faculdade e era razoavelmente bom em algo que meu avô costumava chamar de “galanteio”. Nunca fui muito bonito, então me obriguei a ser bom conversador para conseguir ter algo para mostrar às jovens. Na época eu não perdia a oportunidade de puxar uma conversa com as pessoas do sexo oposto, e como andava com uma taxa de sucesso bem alta, comecei a ter mudanças peculiares no meu “tipo” de mulher. Sendo assim acabei decidindo que só teria relacionamentos longos com jovens ruivas ou de cabelo pintado, não teria problema ficar com outro tipo, mas namorar ou qualquer coisa que durasse mais de uma semana deveria seguir esta regra, não sei por que escolhi ruivas, mas elas sempre me atraíram muito, acho que no começo foi só questão de gosto mesmo.
    Foi impressionante, na semana seguinte achei uma moça nesse padrão. Chamava-se Dayane e era do interior de São Paulo. Tinha uma conversa agradável e belos peitos e um admirável traseiro, gostava de ouvir hardcore, se eu não estou enganado, e conversar sobre política liberal (não era algo que me interessava muito, mas com ela falando tinha lá seu charme), e obviamente seus cabelos eram tingidos, tinham um fabuloso tom vermelho sangue.
   Nós ficamos juntos durante 3 perfeitos meses, foi incrível, ela fazia umas coisas com a mão que me deixava louco, mas isso não vem ao caso. Depois desse tempo ela desistiu do curso (tenho dúvidas até hoje se ela fazia farmácia ou química, lembro que ela sempre tinha jalecos pendurados no cabideiro, acho que era farmácia mas não consigo afirmar com certeza qual era) e voltou para sua cidade, pelo que sei, isso é, se ela me falou a verdade, seu pai estava doente. Quando ela se foi, fiquei deprimido, e no fundo eu pensava que ela voltaria, nessa época eu percebi que havia realmente me apaixonado por aquela mulher.
    O jeito que meu inconsciente deu para que eu ficasse, com certeza em vão, esperando por ela foi, uma mania extra e umas mudanças nas regras que eu criei tempos antes para relacionamentos.
    O coração de um jovem pode pregar peças quando está apaixonado, e o meu não agiu de forma diferente naquele instante. Após algum tempo engolindo a separação e o fato da moça de que gostava ter ido para não mais voltar, resolvi que cores de cabelo não importavam, a regra agora era: “não relacionar-se com uma moça que tenha as duas pernas” e isso valia para todas as ocasiões, ficar, namorar, uma simples trepada, só valiam, pernetas ou sem pernas. Comigo falando assim, você pode pensar “esse cidadão tá completamente louco!” mas dentro de mim, eu acreditava realmente na volta da formosa Dayane e suas mãos macias, assim na minha cabeça, aquilo tudo era só um jeito de garantir a vaga dela, até seu retorno.
   Outra coisa que me surpreende nas atitudes humanas é a influência da sorte, não sorte tipo destino ou coisa assim, apenas o poder e a beleza do acaso. Fiquei alguns meses sem mulher nenhuma e jurando a mim mesmo que estava assim por que era exigente e que nunca achei mulher que entrasse nos meus padrões, ou seja, não havia mulher boa o bastante para mim. Até que começou o novo ano letivo, junto dele veio a nova safra de calouros da Universidade Estadual de Maringá, e com eles uma surpresa. Incrivelmente uma das minhas calouras andava de muletas, e com um jeito de mancar diferente do normal para alguém que quebrou a perna. No mesmo dia, na festa de recepção para os calouros de história, puxei conversa com ela, de começo sem tanta pretensão, estava conhecendo os calouros, mas depois vi, que era verdadeiro interesse. Enquanto nos falávamos descobri que por incrível que pareça existia uma perneta naquela cidade. Ela sofrera um acidente quando tinha 6 anos, estava junto com seu irmão mais velho numa moto e bateram ao lado de um ônibus, história triste e com ela contando era impressionantemente encantador, foi fácil já que tenho um certo encanto por pessoas fodidas pelas suas vidas. 
   Nos aproximamos rapidamente, primeiro pelo fato dela ser a única pessoa naquela universidade e em todo o meu círculo social, que supria minhas exigências quanto a atributos físicos, segundo que mutilados sempre me chamaram a atenção, eu gosto deles, parecem tão aventureiros, ou o que resta deles depois de aventura mal sucedida, e por último, ela era uma maconheira de primeira, o que criava um laço entre nós, a ganja e nosso apego a ela. Ela era bonita, olhos claros e cabelos pretos, dei graças na época por não me apegar mais a cores de cabelo, apesar de preferir ruivas e tingidas. Seu nome era Mel, me chamou bastante a atenção, ela tinha uma insegurança notável que me atraiu logo (pode-se somar ao fato dela ser bonita e ter um jeito de ser que me atraía, o fato de não transar a meses, mas seria indelicado de minha parte falar), além do que, ela também não tinha muitas opções, afinal, além de mim, quantos caras você acha que olham com paixão para uma perneta, não que ela não fosse atraente, mas creio eu que deve haver algum tipo de preconceito contra a sua classe.   Então foi basicamente assim, num dia estava dando meu primeiro beijo na doce e insegura Mel, aconteceu ainda na primeira semana de aula, e quando me dei conta, completávamos 2 anos de namoro. Foram 2 prazerosos anos, que passaram rápido demais pro meu gosto, mas tenho que dizer que aquela mulher, apesar de não ter uma das pernas, sabia muito bem o que fazer com suas coxas, que eram muito fortes e grossas por sinal.
    O fim do meu relacionamento com Mel nunca ficou muito claro para mim, acho que sua insegurança, que nunca deixou de existir enquanto namorávamos, fez com que ela terminasse comigo. Eu tinha me formado a poucas semanas e segundo ela, não queria que eu ficasse em uma cidade que não era meu lar só por sua causa, ela me disse que sempre pensou que tive pena dela e por isso me interessei, eu até tentei negar e conversar, mas ela era teimosa. Bem, isso é o que ela falou para mim, existe a possibilidade dela querer trepar com outros, ela poderia ter achado alguém que gostasse de pernetas tanto quanto eu, ou só ter enjoado de mim e aproveitado a deixa, mas, como eu nunca faço perguntas que não quero realmente saber a resposta, nunca fui muito a fundo nessa conversa, afinal se ela queria terminar não haveria nada que eu pudesse fazer.
    Me formei e voltei para a “espetacular” Cascavel, saí de lá como estudante, voltei professor de história, grande bosta, eu não tinha mais comigo a minha querida Mel. Uma vez em Cascavel fui contratado por um colégio para dar algumas aulas de história do Brasil no pré-vestibular. Lá eu via dezenas de jovens moças com seus atraentes corpos e seus cabelos de todas as cores e suas pernas e coxas e eu não sentia atração alguma, para mim, naqueles tempos em que eu estava extremamente deprimido, nunca iria aparecer outra garota como ela. Vivi perto de 1 ano e meio como um ser assexuado, eu havia sido despedaçado e estava remontando-me, precisava me ver longe de mulheres e de sua influência por um bom tempo. Ao fim desse período, conheci ela, a mulher de que quero falar desde o começo de toda essa história.
    Victória. Ela era a nova professora de filosofia, na verdade ela havia se formado em psicologia, mas podia dar aulas graças a uma especialização feita a distância, além do que abrir um consultório não é algo fácil hoje em dia. Victória tinha lindos cabelos ruivos e ondulados, lembrando chamas e um kanji significando “amor” quase que imperceptível tatuado na nuca, ela também era dona de um belo par de seios, e usava óculos, o que a deixava com um ar de intelectual reprimida que eu achei estranho de começo, mas logo, achei belo. De começo, nós éramos apenas amigos, sem nenhuma sacanagem, pelo menos da minha parte, saíamos juntos e tudo o mais que colegas que viram amigos fazem, mas, até então, não tínhamos olhares de malícia um para o outro. Ela me contou como tinha um triste fim em todos os seus relacionamentos e que na grande maioria das vezes era por sua própria culpa, por ser muito exigente a maioria das vezes e que estava tentando mudar isso, me identifiquei com ela nesse aspecto, e eu lhe contei toda a minha história, na verdade, praticamente vomitei toda minha história de vida nela, não sei por que mas sempre agi como se a palavra psicólogo e “confidente para todas as horas” fossem sinônimos, ela admirou-se com tudo isto e segundo a própria, foi isso que a fez se interessar por mim de começo, até hoje não entendo.
    Um terceiro e último costume humano que me fascina é a capacidade de adaptação em tempos de necessidade. Assim, quando percebi o interesse dela, minha vontade até então oculta e agora incontrolável de fazer sexo despertou um antigo hábito com relação a cabelos e suas cores e também jogou todas as minhas regras para escanteio, tudo pela quase perfeita, linda e ruiva Victória. Essa foi a 3ª vez que me apaixonei pra valer, acho que tive facilidade em relevar o fato de ela ter suas pernas no lugar, afinal, nem só de qualidades as mulheres são feitas e eu precisava de alguém para conversar, não tanto quanto para transar, mas precisava, e assim, nós dois nos envolvemos de um jeito frenético e lindo.   Nosso casamento está marcado para daqui duas semanas, eu, esse trapo que você está vendo e a “quase perfeita Victória”, sou um homem de sorte, a lua de mel será na Nova Zelândia, juntei grana e planejei muito tempo essa viagem, nós vamos escalar e talvez até surfar, quero ver coalas também, existem coalas na Nova Zelândia né!? De qualquer jeito, vai ser lindo.
    Mas aproveitando que falei de escalar, você sabia que a taxa de amputados em casos de acidente com a subida de rochedos é de quase 15%? Isso é mais do que em ataques de ursos e acidentes com motosserras! Esse tipo de informação praticamente inútil sempre me diverte.
 
 
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Dedicado à Victória, minha futura paixão.

sábado, 6 de agosto de 2011

Sobre rosas e bolsos.

   Naquela época eu era só um estudante do 2º ano colegial. Então conheci essa moça, Jéssica era seu nome, havia sido transferida. Era muito bonita, olhos místicos que mesclavam entre azul e verde, sempre fiquei embasbacado com aqueles olhos e modo como ela os usava. Cabelos pintados de vermelho e quem me conhece sabe que isso sempre foi meu ponto fraco, não posso ver uma guria de cabelo vermelho que fico louco. Ela tinha um atraente e esguio corpo, o qual movimentava de um jeito tão doce e sensual que chegava a ser difícil não ficar hipnotizado pelo seu caminhar. Como ela era nova no colégio, procurava pessoas para fazer amizade, ou mais que isso. Éramos da mesma sala, sentávamos perto um do outro, logo, o contato entre nós dois era inevitável.
    O tempo foi passando e estávamos nos conhecendo, eu descobri que ela, assim como eu, tinha um pouquinho de sotaque gaúcho, ela descobriu que eu não gosto de pessoas sem valor pedindo atenção e que achava lindo o seu modo de escrever, colocando a caneta entremeio os dedos anelar e médio, gostava tanto que até adotei a técnica e hoje só escrevo assim. Conversa após conversa, um conhecia mais do outro e surgiu em mim um certo desejo por ela, posso estar enganado, mas acho que ela também tinha apreço por mim.
   Um dia estávamos conversando sobre romantismo, não o movimento artístico e sim algo em torno de como ser romântico, como isso era bonito e ao mesmo tempo não tinha mais espaço na nossa época. Falei sobre como gostaria de ter uma moça a quem pudesse dar flores e chocolates e gostar de verdade sabendo que poderia confiar, com uma cara de decepção ela me disse que nenhum homem jamais havia lhe dado flores e que acharia lindo se isso acontecesse. Não sei se ela queria me dar algum sinal com isso, ou apenas estava mostrando um lado mais sensível de si, mas resolvi que iria deixá-la feliz, eu iria ser seu cavalheiro.
    Fui para casa naquele dia pensando se deveria comprar um lindo buquê de tulipas azuis ou se deveria mandar-lhe um belo cartão e junto dele uma única e formosa rosa vermelha, queria ser o mais original possível. Chegando em casa lembrei que não era de uma família rica e que não tinha um emprego, logo, não teria dinheiro para comprar algo tão cedo, isso era um problema. Vi na floreira de minha mãe, em nosso jardim, uma mini-roseira, ela era tão bela quanto as grandes porém de tamanho reduzido, dando pequeninas rosas de um vermelho vivo, tinham talvez até mais charme que as grandes. Então resolvi dar a ela as pequenas rosas, afinal o que importava era a intenção e para alguém que nunca havia recebido flores, acho que pequenas rosas seriam suficientes para lhe fazer feliz.
    Então armei tudo, cortei uma pequena rosa e embrulhei-a em papel filme com uma fita de cetim, falando assim parece tosco, mas minhas habilidades manuais sempre foram maiores do que o normal, consegui fazer um bonito arranjo, por mais impossível que isso pareça. Fui para aula com a flor no bolso da minha calça do uniforme da escola, ia deixá-la em cima de sua carteira e com certeza ela perceberia que aquilo era coisa minha. Quando retirei a rosa do bolso, algumas pétalas haviam caído, resolvi não entregar naquele dia e ter mais cuidado com uma próxima flor que lhe levaria no dia seguinte, guardei novamente aquela no bolso e fingi para ela que não tinha planejado nada depois de nossa conversa.
    Dia seguinte, dessa vez não tinha como dar errado, afinal era só entregar uma flor. Peguei mais uma rosa, desta vez nem me preocupei com arranjos ou fitas, levei-a para o colégio e desta vez em minhas mãos. Deixei-a em cima de sua mesa e fui até o corredor para tomar água, encontrei-me com ela no caminho e senti que havia algo errado, ela estava muito mal-humorada, achei que algo poderia ter acontecido e ela estar brava comigo, preferi não arriscar, voltei rápido para sala tirei a flor de sua mesa, coloquei-a rapidamente no bolso, a fazer companhia para a que tinha deixado lá no dia anterior (na época eu tinha apenas uma calça do uniforme, elas eram caras, então usava-a a semana toda.) e nesse dia mal nos falamos.
   Dia após dia eu arrancava uma flor da pequenina roseira e, com o objetivo de conquistar aquela jovem, levava-a para a escola, incrivelmente, por algum motivo, nunca consegui “terminar o serviço” e entregar a rosa para a adorável Jéssica, num dia ela não foi para a aula, no outro eu achava que ela não me via como alguém a se relacionar e ficaria irritada com o presente (acho que isso foi insegurança demais da minha parte, mas o que eu podia fazer, era apenas um garoto do 2º ano colegial) e assim foi. Alguns dias passaram e acabaram-se as flores da pequena roseira, entendi a situação, não estava faltando o momento perfeito, faltava um homem. Desisti de conquistar aquela moça e no fim daquilo tudo, restaram apenas uma roseira sem flores e várias rosas secas em meu bolso.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Devaneios reencarnados.

   Um dia, eu conheci uma linda moça, ela era dona de belos olhos claros e um formoso e sedutor cabelo curto e ondulado. Uma perfeita forma de andar, de olhar e de falar, enfim, ela era perfeita em seu modo de agir, sempre associava sua imagem à de mulher ideal, ou o mais próximo disso que possa existir.
    Nesse mesmo dia, me apaixonei por essa moça, mas pelo jeito que falei acima, acho que já era de se esperar. Eu a olhava enquanto ela sorria e isso me fazia feliz, sua pele branca e suas mãos pequenas faziam meus olhos brilharem. Sempre ficava impressionado com o jeito como teimava com tudo e como levantava a mão, apontando-a para mim na altura do rosto, fazendo perguntas. Não sei ao certo, mas parecia que ela havia concluído com louvores no curso “Aprenda a encantar um tolo em 11 passos simples”, pois eu me prendi aquela mulher como um viciado, ela era meu vicio e isso não me parecia ruim.

   Depois de vários dias e encontros, fiquei próximo da moça que venho falando a algum tempo. Conversávamos sobre escrever, sobre paixão (nunca cheguei a contá-la o que sentia, seria certeza de fracasso, pelo menos na época), sobre sonhos, sejam eles oníricos ou não e um dia até combinamos de almoçar juntos, fiquei contente, achava que, pela primeira vez, uma moça pela qual eu havia me apaixonado estava me vendo como um homem a ser considerado, um “bom partido”, eu comecei a achar realmente que iria ser feliz, que teria filhos e uma casa num bairro com vizinhos e um gramado que regaria aos domingos e todas essas coisas que caras que acham a mulher de sua vida pensam. Estava perto, era a hora de falar a ela o que eu sentia.
    Então me preparei, tinha que ser a abordagem perfeita, não queria assustá-la, mas queria que ela soubesse o quanto era importante para mim. Começamos uma conversa, antes que pudesse falar qualquer coisa, ela me começa um monólogo irritante falando-me como reparava nos olhares de afeição de um homem e que queria estar do seu lado e ser importante para ele, obviamente, este homem não era eu. Minha alma doía, sentia meu peito sangrar por dentro e uma tristeza descomunal mastigava-me e digeria-me de modo cruel e demorado.
   Um dia, com uma arma na mão, fiquei a pensar demais numa moça, a que falava até agora. A imagem dela em minha mente castigava-me e sem agüentar puxei o gatilho contra minha própria cabeça. Posso jurar que consegui sentir o cheiro da pólvora enquanto tudo virava escuridão, tanto em meus pensamentos como em minha visão. Engraçado como as coisas são, eu que sou um ateu de marca maior, reencarnei (digo sou, pois tenho certeza que esquecerei tudo o que houve e voltarei a pensar da mesma forma). Renasci como um leve, inocente e frágil garoto do sul, filho de um casal apaixonado. Senti uma forte vontade de chorar, a lógica diz que foi o tapa do médico, eu digo que sofria por ela, ainda. Chorei um pouco, e entremeio alguns soluços fui parar no colo da minha nova mãe, ela parecia ser uma boa mulher, e a ferida que aquela moça deixou em mim, provavelmente sem saber, começou a curar, e eu me via mais calmo.

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Demorei para escrever e não creio que esteja bom, mas estou numa fase nada criativa, então conseguir escrever algo, já está sendo grande coisa.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Macho Alfa.

   Eram tempos difíceis, meu pai havia morrido a pouco tempo, e minha mãe que estava quase depressiva não ajudava muito, vivia me pedindo coisas, tudo o que não estava nas suas mãos ela tinha que pedir para mim, parecia que tinha perdido a habilidade de se movimentar. Era Francisco de cá, Chico de lá, e lá ia eu, um moleque de 16 anos, com mania de se irritar fácil fazer o que ela pedia, normalmente executava as tarefas usando meus resmungos como som de fundo.
    Todos estavam fodidos, minha mãe só fazia trabalhar e chorar pela descoberta de uma filha bastarda de meu pai, para mim era época de vestibular e junto das varias afirmações de que eu não iria passar, pois ninguém na minha família tinha o feito antes, eu estava com uma forte crise de identidade que se resumia em uma vontade absurda de correr o mais longe que conseguisse para nunca mais voltar, meu irmão acabara de se separar da mulher, havia sido pego em um adultério e voltara a morar em casa, brigávamos constantemente, ele era mais velho e eu pensava que mais forte, quando discutíamos ele sempre me provocava, ele queria que eu tentasse bater nele, pois, ele adoraria me dar uma surra e não levar culpa nenhuma, eu sempre me acovardava e não partia para cima dele perante seus desafios.
    Domingo a tarde, normalmente tedioso, estava há umas duas horas no computador, estava lendo coisas sobre baseados, era um iniciante na época e queria aprender tudo sobre, via também as receitas de alguns drinks bons para fazer para amigos, bebia bastante para um rapaz de 16 anos, era barman de uma balada conhecida na cidade, gostaria que isso não ficasse só como profissão, aprendi muita coisa que usei socialmente depois, até hoje faço uma ótima caipirinha, “Normalmente todos falam que fazem a melhor caipira do mundo, pena que só eu estou certo!” eu costumava dizer para meus amigos que aproveitavam-se do meu gosto pela preparação do drink típico brasileiro.
   O computador ficava no quarto em que meu irmão dormia, mas que era meu por usucapião, ele chegou em casa do trabalho, eu estava irritado, na época estava sempre irritado, ele pediu para que eu saísse pois ele gostaria de usar o quarto, não tive paciência e mandei-o a merda, “Quem mora de favor não tem quarto!” eu disse enquanto fingia que estava lendo o texto na tela.
    Levei um bom soco na cara, mas dessa vez algo acendeu em mim e não me acovardei, talvez o soco não tenha sido tão bom assim. Levantei e revidei o soco de forma adequada, ele aguentou a porrada e me empurrou contra a parede, trocamos mais alguns murros e talvez uns chutes a esmo, eu começara a virar o jogo, consegui mudar a posição da luta a ponto de empurrá-lo contra a parede do mesmo modo que ele fizera comigo, mas diferente dele, pressionei-o contra ela e soquei-lhe os rins. Ele se livrou de mim, afastou-se e começou a esbravejar:
   - Você é foda mesmo, acha que só por que pesa mais e anda ficando fortinho pode ficar desrespeitando os mais velhos!
   - Não acho que posso ficar desrespeitando os mais velhos, só não vou com sua cara e com seu jeito folgado!
   Júnior, meu irmão, tinha um emprego interessante, ele era segurança, e como tal tinha todos os apetrechos e equipamentos que um bom guarda teria, penso às vezes que ele achava-se o Batman com seu cinto de utilidades. Ele pegou uma tonfa de borracha e batendo-a no lugar de passar as roupas me ameaçou.
   -Vamo ver se você é realmente forte!
   - É fácil com essa coisa na mão, duvido que você seja homem de enfrentar só no braço.
   Ele o fez, ao soltar o cassetete na mesa de passar roupas fui correndo contra ele e empurrei-o com força na direção da cama da minha mãe, ela não estava em casa, acho que estava visitando umas amigas, não me lembro direito, como disse era um iniciante na arte da cannabis. Ele me chutou enquanto estava deitado fazendo com que eu batesse contra a parede, não me abalei, era questão de orgulho, eu nunca havia me revoltado, já que estava o fazendo, que o fizesse de maneira correta, fui novamente para cima dele, que já havia levantado, derrubei-o de novo, e dessa vez com mais força, eu estava no meu ápice e estava sentindo isso. Consegui subir em cima de seu peito enquanto ele me batia. Uma vez em cima, segurei seus braços com meus joelhos, ele me olhou com raiva e tentou reagir em vão, eu tive a chance de socá-lo na cara para ele nunca mais esquecer, não o fiz, isso poderia me dar chateação no futuro e mesmo que não gostasse dele sabia que ia ver a cara dele todo dia por muito tempo ainda, mesmo quando algo acendeu dentro de mim, mantive-me frio como sou normalmente, não valia a pena bater forte e repetidamente na cara dele mesmo diante do prazer de vê-lo marcado durante um com tempo. Voltei para o computador e ele saiu de casa.
    Agora eu era o macho alfa, eu havia humilhado alguém que normalmente me batia, me senti um leão, queria que todos ouvissem-me rugir, isso durou pouco. Fiquei estranho depois de um tempo, foi quando percebi que mesmo sendo o macho alfa da casa, não havia conseguido o que queria, e nem com o maior rugido do mundo seria possível acontecer, eu queria o respeito do antigo macho dominante. Eu tinha um objetivo e ele havia sido impossibilitado, nunca iria conseguir lutar contra meu maior inimigo, alguém já o tinha derrotado, de um jeito a derrubar até mesmo minhas expectativas da vida.
    Em algum tempo a sensação de poder acabou e a única coisa que sobrou foi a angústia de ter um objetivo que não pode ser cumprido e que não é pela falta de coragem. Estava precisando de um bauro, sentei-me novamente no computador e achei a receita de piña colada, fiz no outro dia numa roda de amigos, consegui ficar bem bêbado.

domingo, 10 de julho de 2011

Esfomeados são sentimentais.

    Acordei faminto, já eram cinco e meia e era domingo, aguentando a fome que começava a me dar dores no estômago, eu fiquei um pouco no computador, queria ver se uma moça pela qual tenho carinho havia me deixado algum recado, não deixou.
   Fui fazer algo para comer, coloquei ovos numa panela com água e liguei o fogo, enquanto os ovos cozinhavam comecei a picar batatas para fritar. Piquei algumas e, quando fui ligar uma boca para a frigideira, vi que o gás havia acabado. Irritado e faminto, joguei com força o prato com as batatas na parede, cacos de porcelana e batatas se espalharam por meia cozinha, fui para o quarto e acendi um baseado. Terminei de fumar, peguei minha carteira e coloquei minha velha camiseta com o olho de Horus e em letras grandes “História UEM”, sai na direção da padaria mais próxima.
    Andei algum tempo, dobrei a esquina e vi que a padaria que pretendia ir estava fechada. Continuei subindo a rua, “deve ter alguma merda aberta” pensei.
    Enquanto andava olho numa rua sem saída, um grupo de crianças brincando e com elas um senhor idoso, eles jogavam amarelinha e todos estavam rindo muito, o senhor era vô de uma parte das crianças e estava sendo o centro das atenções, “isso é bom que faz exercício!” gritava o velho enquanto pedia o que deveria fazer no jogo. Olhei para a cena e achei-a bela, cheguei a me acalmar um pouco, eu, que sempre penso sobre a personalidade das pessoas, fiquei pensando em como deveria ter sido a vida daquele senhor e por pouco tempo, uma admiração sincera surgiu, ele parecia tão despreocupado, tão feliz, tão vivo, tão diferente de mim. Percebi um sorriso em meu rosto e continuei a andar, algumas quadras a frente achei uma cabine de Cachorrão, o prato típico do maringaense. 
   Pedi dois lanches para viajem, sentei para esperar e vi dois homens conversando, um deles também tinha pedido dois lanches, quando questionado do por que pelo amigo, respondeu que tinha certeza que no futuro ia dar umas bolas num baseado e a larica ia bater. Ri alto e concordei, eles riram também, pensei em pedir um pouco de baseado, mas desisti da ideia rápido. Os dois continuaram conversando e o mesmo que pediu dois lanches falava que em setembro ia morar em Florianópolis, coisa comum por aqui, uma espécie de “american dream” do interior do Paraná, fiquei quieto.
    Um rapaz que parecia louco estava conversando com o chapeiro, “vou te falar o pior defeito dos homens Seu Tonho, a esperança, isso é que fode com tudo!” falou enquanto ria de leve. Olhei para ele, sorri, virei-me e percebi que concordava plenamente com ele, fiquei achando que ele poderia ser um gênio ou algo assim, sensação que sumiu assim que ele disse que ia ir no cemitério arranjar uma garganta nova por que a dele estava estragada de tanto beber coca congelada.
   Meus lanches ficaram prontos, ele não tinha Coca-Cola de dois litros, pedi duas cocas de um litro, saíram-me bem mais caras do que se fosse uma de dois litros, elogiei a malandragem do dono do lugar e fui-me embora. Percebi que três igrejas, que ficavam na mesma rua estavam sendo abertas e alguns imbecis, ou cristãos como costumam chamar, estavam passando, para mim aquilo parecia uma feira onde cada pastor oferecia seus serviços divinos e os idiotas entregavam todo seu dinheiro, olhei para um homem com uma bíblia e imaginei ele gritando “ Só hoje minha senhora, entrada no céu por apenas 199 e 95! Moça bonita não paga, mas também não leva!”, ri e depois de andar algumas quadras cheguei em casa.
   Comi um lanche e bebi uma das cocas, guardei o resto para mais tarde, ia precisar já que não tinha como cozinhar. Fui para o quarto, sentei-me na frente do computador, queria ver se uma moça pela qual eu tenho muito carinho, e um bocado de tesão também, tinha me deixado algum recado, não deixou.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A anciã promíscua.


    “Na minha época essas coisas de sexo eram diferentes” - dizia Dona Laura enquanto servia o chá para Guilherme. Laura, 64 anos, ex-atriz e viúva há vários anos, morava com a filha Isabela e seus dois netos, Alice e Cláudio. Guilherme tinha 17, era amigo do neto mais velho da idosa e o esperava sair do banho e terminar de se arrumar para irem a uma festa juntos. O rapaz era extrovertido então, apesar de nunca ter ido até aquela casa, conversava simpaticamente com a senhora. Laura para deixar o rapaz mais a vontade ainda, puxava conversas sobre assuntos que interessam a jovens, como sexo.
   -É como estou te dizendo menino, as moças de hoje em dia tem muito mais sorte do que eu tive e nem ao menos sabem ou aproveitam isso! 
   - Disso não sabia, achava que os antigos sempre faziam, qualquer coisa que seja, de modo melhor que hoje em dia. 
   -Faziam bosta! Antigamente os homens eram egoístas, pensavam só neles mesmos e no próprio prazer. Não que hoje seja muito diferente, mas agora vocês tem obrigação de serem bons de cama! 
    Oh? É um pouco estranho falar de sexo com a senhora. 
  - Relaxe menino, sou mulher vivida, já até enterrei um marido. Conheço bem o mundo e também a juventude, pode ficar tranquilo.
   - Não tenho dúvidas quanto a isto, só que a senhora é vó de um amigo meu, isso me soa estranho.   
   - Não estamos fazendo sexo, estamos falando sobre, menino, você tem conversas mais pesadas que esta na escola. 
   - Verdade. 
   - Como eu ia dizendo, os homens só pensavam em gozar, nem chupar xoxota eles chupavam!  
   - Triste, não? 
   - Pois é, homens que chupavam xoxota eram raros na minha época. Mais me diga menino, você chupa xoxotas? 
   - Claro! É obrigação. 
   - E você gosta de chupar? 
   - Creio que sim.
   A senhora salta para o lado do rapaz, e coloca as mãos nas suas coxas. O jovem sentiu-se intimidado, mas ao mesmo tempo até um pouco excitado, parecia que aquela senhora idosa sabia bem como excitar um adolescente. O rapaz não conseguiu mover-se, parecia que Laura tinha um poder, ela subiu a mão pela coxa do rapaz chegando a passar a mão por cima do seu zíper, ela sentiu que o volume da calça aumentava e sorria. O jovem parecia incomodado, enojado e ao mesmo tempo gostando um pouco. No fundo podia-se ver que Laura havia sido uma bela mulher no passado.
   - Responda menino, você vai chupar a minha xoxota?
   - Não sei não, a senhora já é . A voz do jovem saia baixa e envergonhada, talvez até enojada, ele até tentava de leve afastar a senhora, sem sucesso, ela ignorava as mãos do garoto.
    Laura ergue seu vestido branco com pequenas flores amarelas por todo o tecido e enquanto se levanta na frente do jovem abaixa uma calcinha de renda vermelha, parecia ser de uma marca boa. Uma vez em pé, Dona Laura, ou Laurinha como era conhecida nos tempos de TV, puxa a cabeça do jovem Guilherme até encostar em sua pele enrugada, o jovem apenas retira sua língua para fora. A velha fica a balançar a cabeça do rapaz e a soltar alguns gemidos enquanto Guilherme começa a sentir-se muito enojado e enjoado, ele consegue sentir um cheiro forte vindo da xoxota da mulher, parecendo que ela não tomava um banho há dias. Cláudio enquanto desce as escadas vê a cena e com uma cara de quem já viu aquilo antes grita furiosamente.
    - Porra !! Desde que eu tenho 12 não posso trazer um amigo nessa casa que você tenta transar com ele! Que que eu faço com você sua velha!?
    Ouvindo os gritos de seu neto, Laura solta a cabeça de Guilherme que vira na mesma hora seu rosto para o lado e vomita no lado do sofá. A senhora abaixa seu vestido, levanta sua calcinha e sai rapidamente na direção de seu quarto, ainda assim um sorriso largo de satisfação não saia da face da anciã promíscua. Cláudio faz sinal para que Guilherme levante-se e vai indo na direção da porta com um semblante irritado, mas nada mortal.
   - Isso acontece direto, sempre tem um idiota para cair no papo furado da velha! Seu otário!
    Guilherme lava a boca e o tênis numa torneira do lado de fora da casa e vai com Cláudio para a festa. Ambos conseguem agarrar-se com moças, Guilherme transa no carro com a sua, Cláudio por azar achou uma virgem (que queria manter-se assim). Eles deixam o vômito para Laura limpar, que o faz escutando seu disco do Wando e com um grande sorriso no rosto.
 
 
Até eu mesmo ando me assustando com minhas idéias, mas não creio que esteja pesado demais. Escrito num devaneio.